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A brincadeira o e desenvolvimento do cognitivo

Você sabia que a brincadeira é uma excelente ferramenta para o desenvolvimento cognitivo, social e motor para as crianças? Sim, e pensar que por muito tempo o ato de brincar, apesar de sempre ter feito parte da história da humanidade, já foi considerado perda de tempo! Para que as crianças possam compreender melhor as manifestações culturais, assim como construir o seu conhecimento é muito importante que elas tenham referências adquiridas através de brincadeiras como contos, cantigas de roda e demais acervos de brincadeiras. 

Mas por que essas atividades são tão importantes? Porque elas integram diferentes áreas de aprendizagem, desde a linguagem, até a natureza da sociedade com suas tradições e culturas presentes nas canções, por exemplo, e com isso, é possível auxiliar no desenvolvimento da identidade e autonomia do indivíduo.

Dada a importância da atividade, a incorporação pelos educadores em sala de aula irá fornecer subsídios para uma formação mais significativa para as crianças, pois irá ampliar o contato com o mundo da fantasia, do faz-de-conta, com o lúdico e com o próprio corpo, sendo uma importante maneira de estimular o pensamento da criança.

A brincadeira pode e deve acompanhar a rotina dos pequenos além do ambiente escolar! Seja em atividades extracurriculares, passeios, até mesmo durante uma consulta médica, cada oportunidade deve ser aproveitada para exercitar o brincar!

Através do lúdico, a criança repete os padrões absorvidos em sua rotina, já exercitando o treino para a vida, transformando em brincadeira aquilo que viu, ouviu ou vivenciou, e assim, auxiliando no próprio desenvolvimento cognitivo, social e motor. 

Qual brincadeira marcou a sua infância

Os Neuroblocos Funcionais de Lúria

Para Alexander Lúria (neuropsicólogo soviético 1902-1977), as formas complexas de comportamento têm origem social, a partir da qual se desencadeiam processos que elaboram, armazenam e desenvolvem informações do mundo exterior e se programam e controlam ações que materializam intenções, obedecendo a uma organização estruturada, autorregulada e hierarquizada no cérebro. Assim cada processo de comportamento envolve um complexo sistema funcional baseado num plano ou programa de operações que conduz a um fim determinado. Desta forma, Lúria caracterizou o cérebro humano em três neuroblocos funcionais, dos quais dependem as funções que presidem ao trabalho do cérebro, implicando em todas as formas complexas de comportamento.

O primeiro deles relaciona-se ao tronco cerebral (mesencéfalo, ponte e bulbo) e particularmente à formação reticulada (que está dentro do bulbo), permite a manutenção da postura (tônus) necessária para o funcionamento das partes superiores do córtex cerebral, regula o nível de energia e o tônus do córtex garantindo-lhe uma base estável para a organização de seus vários processos, incluindo o da memória, funções de seleção e de vigília. Localiza-se no Bulbo o Centro Respiratório e Vasomotor (relacionado com ritmo biológico), fibras dos núcleos vestibulares (relacionadas com equilíbrio e a posição da cabeça). As áreas psicomotoras referentes são: tonicidade, equilibração, função de alerta. Estes dados permitem perceber a integração da postura e equilíbrio. O segundo está relacionado com as áreas posteriores dos hemisférios, córtex parietal, temporal e occipital. Encontra-se nas zonas posteriores do córtex (lóbulos occipital, temporal e parietal). Possui a funções específicas e hierarquizadas em zonas primárias e terciárias que compreendem a organização intraneurossensorial, interneurossensorial e é um complexo sistema de recepção, análise e planificação da informação que chega pelas vias táteis, auditivas e visuais.

As áreas psicomotoras referentes ao segundo neurobloco luriano são lateralização, noção do corpo, estruturação espaço-temporal.

Verificou-se que estas áreas psicomotoras encontravam-se também em déficit. Partindo do princípio de Lúria de que os neuroblocos seguem uma hierarquia, as intervenções englobaram também estas áreas psicomotoras para atingir o objetivo principal de equilíbrio postural e atenção. O terceiro neurobloco, relacionado com a parte anterior dos hemisférios principalmente o lobo frontal, proporciona planificação: programação dos movimentos e dos atos, a coordenação dos processos ativos (regulação) e a comparação dos efeitos das ações com as intenções iniciais (verificação). Possui funções de planificação, utilização e execução de praxias, intimamente relacionadas com as funções do tronco cerebral (atenção e concentração). As áreas psicomotoras referentes são praxia global e praxia fina. Todos os neuroblocos participam da atividade psíquica do indivíduo e na regulação de sua conduta; porém, a contribuição que cada um destes blocos realiza na conduta do indivíduo é muito distinta.

Referências: LÚRIA, Alexander Romanivich. Fundamentos de Neuropsicologia. Universidade de São Paulo. São Paulo, 1981. MACHADO, Angelo. Neuroanatomia Funcional. Rio de Janeiro – São Paulo: Livraria Atheneu, 1985.

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